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Morre Wilson Fittipaldi Júnior, uma lenda do automobilismo brasileiro

Wilsinho Fittipaldi morre aos 80 anos
Wilsinho foi criador da única equipe brasileira que correu na F1 (Divulgação - Stock Car)

Aos 80 anos, fundador da Copersucar-Fittipaldi, única equipe do país na F1, estava internado

Morreu nesta sexta-feira (23), aos 80 anos, Wilson Fittipaldi Júnior. Ex-piloto de Fórmula 1 e fundador da única equipe brasileira da história da maior categoria do automobilismo, a Copersucar-Fittipaldi, ele era irmão mais velho do bicampeão mundial Emerson Fittipaldi e deixa, além dele, a esposa Rita e o filho Christian Fittipaldi, que também teve passagem pela F1. Também era o tio de Emmo Fittipaldi e tio-avô de Pietro e Enzo Fittipaldi, reserva da Haas na F1 e piloto da VAR na F2, respectivamente.

Wilsinho passou mal no almoço do dia de Natal de 2023, mesmo dia em que completou 80 anos. Conforme relatado pela mulher Rita, o ex-F1 se engasgou com um pedaço de carne, sofreu uma parada cardíaca e foi hospitalizado, permanecendo entubado e sob sedação.

Wilson Fittipaldi Júnior, chamado carinhosamente de Wilsinho, nasceu no Natal de 1943. Inspirado pelo trabalho do pai, o “barão” Wilson Fittipaldi, narrador de automobilismo, Wilsinho rapidamente se encantou por esse novo mundo. Na década de 70, chegou à Fórmula 1. Foram três temporadas na maior categoria do automobilismo mundial: duas pela Brabham (1972 e 1973) e uma pela Copersucar-Fittipaldi (1975), na temporada de estreia da equipe brasileira.

Mesmo após encerrar sua participação na Fórmula 1 como piloto, Wilson Fittipaldi continuou no mundo do automobilismo. Foi dele o comando da Fittipaldi após Emerson passar a correr pela equipe. Assim o trabalho continuou, até 1982 – último ano da equipe dos irmãos Fittipaldi na categoria.
Wilson Fittipaldi ainda disputou outras competições – entre as décadas de 80 e 90, participou de cinco edições da Stock Car. Já com mais de 50 anos, fez parceria com o irmão Emerson em 2008 na GT3 Brasil.

Wilson Fittipaldi começou a se aventurar nas pistas com os karts que ele e seu irmão construíram, ainda no Brasil. Ele participou da Fórmula Vee (anteriormente chamada de Fórmula Vê) e competiu também na Fórmula 3 inglesa, em 1966. No entanto, só retornaria à Europa em 1971, quando correu na Fórmula 2 e terminou em sexto lugar, competindo com Niki Lauda, Ronnie Peterson e Carlos Reutemann. Foram três vitórias em 11 provas para Wilsinho, que conseguiu, com isso, uma vaga na F1 no ano seguinte.

Wilson Fittipaldi começou sua carreira na Fórmula 1 na Brabham, ao lado de Reutemann e Graham Hill. Apesar de ser competitivo, não pontuou naquela temporada – sua melhor colocação foi um sétimo lugar, nas pistas da Espanha e da Alemanha, em uma época na qual só os seis primeiros ganhavam pontos. Ele também participou da primeira corrida da F1 no Brasil em 1972 e alcançou o pódio, com o terceiro lugar. Porém, o evento em Interlagos era um teste de qualidade da pista e, portanto, não dava pontos para o campeonato. No ano seguinte, Wilson terminou na 15ª posição no mundial de pilotos, pontuando na Argentina (sexto lugar) e na Alemanha (quinto).

Após duas temporadas na Brabham, Wilson não participou do campeonato em 1974. O motivo, no entanto, era nobre: focar na criação da primeira equipe brasileira na Fórmula 1. No ano seguinte, surgiu a Copersucar-Fittipaldi, que era baseada em São Paulo – fugindo do padrão da época, onde as equipes eram, em sua maioria, baseadas no Reino Unido. Aliás, a Copersucar foi a única equipe sul-americana da história da categoria.

Na primeira temporada da Copersucar, em 1975, Wilson Fittipaldi foi o único piloto da equipe durante todas as provas, com exceção da corrida na Itália, quando foi substituído por Arturo Merzario após quebrar um punho na prova anterior, na Áustria. Pela nova equipe, não pontuou: sua melhor posição foi o 10º lugar, no GP dos Estados Unidos (último da temporada).

Aquela seria a última temporada de Wilson Fittipaldi como piloto de Fórmula 1. Mas a trajetória de Wilsinho seguiu do lado de fora, comandando a nova equipe. Dentro das pistas, Emerson Fittipaldi trocou a grande McLaren pela equipe de sua família, em uma manobra arriscada. De lá, só saiu ao término da temporada de 1980.ages

Em 1982, os irmãos Fittipaldi tiveram de fechar a equipe, que sofreu muitas críticas pelo desempenho ao longo dos anos. Ainda assim, a Copersucar-Fittipaldi conquistou três pódios durante os oito anos na categoria, sendo um deles com o 2º lugar no GP do Brasil de 1978.

Wilsinho ainda participou de outras competições após deixar a F1. Na Stock Car, participou das temporadas de 1982 e 1983; nos anos 90, retornou em 1991, e também disputou em 1994, 1995 e 1996. Já em 2008, aos 65 anos de idade, ele se uniu ao irmão em parceria no Campeonato Brasileiro de GT3. Seu último projeto foi a organização da Fórmula Vee (antiga Fórmula Vê), justamente onde tudo começou.

Wilson Fittipaldi vivia em São Paulo e começou a apresentar problemas médicos: em novembro de 2019, o ex-piloto passou por cirurgia no cérebro para tratar o Mal de Parkinson. Alguns meses depois, teve que encarar novo procedimento cirúrgico no local por causa de uma hemorragia, causada após uma queda em casa.

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Escrito por Ferrari Promo

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